Presidente eleito já anunciara que reversões estariam entre seus primeiros decretos executivos; medidas miram pandemia, crise econômica, imigração e diversidade
WASHINGTON
— O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, assinou uma série de decretos
para reverter o legado de seu antecessor, Donald Trump, na noite desta
quarta-feira. O democrata levou os Estados Unidos de volta ao Acordo de Paris
para o Clima e à Organização Mundial de Saúde (OMS), além de interromper a
construção do muro na fronteira com o México e implementar medidas para a
promoção da diversidade.
Os 15
decretos executivos e duas diretrizes para as agências de governo que foram
assinados na tarde desta quarta miram o que Biden considera erros e abusos de
seu antecessor. Para combater a Covid-19, que já matou 400 mil americanos, o
novo presidente tornou o uso de máscara obrigatório em propriedades federais.
Ele também encerrou o veto à entrada nos EUA de alguns países africanos e de
populações majoritariamente muçulmanas.
— Nós acreditamos que podemos tomar medidas para reverter
imediatamente elementos das políticas de Trump que são muito desumanos e não
refletem os valores do nosso país — disse Jake Sullivan, conselheiro de
Segurança Nacional da nova gestão.
As
ações, anunciou o governo de transição, se encaixam em quatro grandes grupos:
pandemia, crise econômica, imigração e diversidade. Em alguns casos, a mudança
de política será imediata. Em outros, serão o pontapé inicial para processos
que podem se prolongar por meses. A agenda para o dia 1 de Biden incluiu:
A volta à
OMS
Biden retornou imediatamente à Organização Mundial de Saúde. Em
maio, no ápice da primeira onda da pandemia de Covid-19, Trump deu início ao
processo de saída do braço da ONU, afirmando que a China exercia pressão
demasiada sobre o órgão. O principal epidemiologista do governo americano,
Antony Fauci, será o representante americano na reunião do conselho executivo
da OMS que ocorrerá na quinta-feira.
Uso
obrigatório de máscaras
Biden assinou um decreto executivo para implementar algo que Trump
se recusou a fazer durante seu mandato: tornar o uso de máscaras e o
distanciamento social obrigatório em propriedades federais. O novo presidente
restaurou ainda o braço de biodefesa e segurança sanitária global do Conselho
Nacional de Segurança, desmantelado durante a gestão republicana.
Volta ao Acordo de Paris
Biden tomou uma série de medidas iniciais para restaurar as
medidas climáticas do governo de Barack Obama, incluindo o retorno ao Acordo de
Paris. O pacto, negociado quando Biden era vice-presidente, demanda que seus
signatários respeitem metas de emissão com o objetivo de limitar o aumento da
temperatura global a 2oC acima dos níveis pré-industriais.
Fim dos despejos
O novo presidente suspendeu as ordens de despejo até ao menos o
dia 31 de março, uma medida que busca auxiliar americanos que sofrem com a
pandemia e com seus efeitos econômicos. Cerca de 20% dos locatários e um em
cada 10 donos de casas próprias estão com os pagamentos atrasados, segundo o
governo de transição. Biden perdirá ainda assistência extra para auxiliá-los,
como parte do pacote econômico de US$ 1,9 trilhão proposto para conter os
impactos da Covid-19.

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